Dos clássicos do forró às músicas mais atuais para entrar no clima e animar sua comemoração.
A música que faz o São João ser São João
Antes da fogueira, da bandeirinha, e da comida típica, o São João já começa pelo som. O Nordeste tem nas festas juninas uma das expressões culturais mais ricas do país, e a música é o fio que costura tudo. Não é por acaso que o São João de Campina Grande, o maior do mundo, tem palcos que funcionam por cerca de 30 dias seguidos. A festa só dura tanto porque a música sustenta.
Uma boa playlist de São João é uma sequência que leva a festa do clima intimista da chegada ao pico da animação. Conhecer os artistas, os ritmos e a ordem certa é o que separa um arraiá inesquecível de uma festa que esfria cedo.
Os ritmos da festa
O São João não tem um ritmo só. O que muita gente chama de forró pé de serra é, na verdade, um conjunto de ritmos tradicionais tocados com os três instrumentos de raiz: sanfona, zabumba e triângulo. Dentro desse universo existem pelo menos quatro ritmos distintos.
- Xote é o mais lento e romântico. Andamento tranquilo, dançado em pares com aquele famoso dois pra lá e dois pra cá. É o que abre a festa e coloca as pessoas no clima sem ninguém precisar se animar antes da hora.
- Baião tem batida mais forte e marcada, com o zabumba no centro e a sanfona conduzindo. Foi Luiz Gonzaga quem o popularizou pelo Brasil. Mais animado que o xote, mas ainda dentro de um clima que convida à mesa e à conversa.
- Xaxado tem origem nos cangaceiros do sertão nordestino. É uma dança feita em fileiras com passos arrastados, mais rítmica e coletiva. Aparece bastante nas quadrilhas juninas e nos grupos folclóricos.
- Arrasta-pé é o mais acelerado dos quatro. Andamento rápido, dança de arrastar os pés, energia que levanta qualquer roda. É o que marca a virada da festa.
Forró eletrônico e piseiro chegaram depois e tomaram os palcos maiores. Com baixo elétrico, bateria e produção mais contemporânea, são o combustível do pico da festa. São João de hoje tem os dois mundos no mesmo arraiá.
A sequência natural de uma boa playlist segue essa progressão.
A base de tudo: os clássicos que todo mundo reinterpreta
O universo musical do São João é vasto, mas alguns artistas ocupam um lugar especial nele. Luiz Gonzaga e o Trio Nordestino, por exemplo, têm um repertório rico que aparece em qualquer arraiá, seja na versão original ou reinterpretada por diferentes cantores. Essas melodias costumam ser o ponto de encontro entre as gerações.
Luiz Gonzaga
O Rei do Baião. Transformou os ritmos do sertão nordestino em música popular brasileira e deu ao São João o seu hino maior.
Alguns sucessos:
- Baião
- O Cheiro da Carolina
- Pagode Russo
- Asa Branca
- Xote das Meninas
- Olha pro Céu
- Danado de Bom
- Qui Nem Jiló
Trio Nordestino
Uma das bandas mais amadas do forró nordestino, mistura humor, tradição e aquele ritmo que não deixa ninguém parado. *Chililique* é o tipo de música que a festa inteira canta junto sem precisar ter ensaiado.
Alguns sucessos:
- Procurando Tu
- Forró pesado
- Chililique
- Capital do Forró
- O Neném
Os artistas tradicionais que definem o clima do arraiá
São artistas mais contemporâneos e com carreiras extensas, que transitam entre o xote mais suave e o baião mais animado. O que eles têm em comum é a fidelidade ao pé de serra, com músicas que atravessam gerações sem envelhecer.
Dominguinhos
Sanfoneiro pernambucano de Garanhuns e discípulo direto de Luiz Gonzaga. Compôs mais de 200 canções e transformou a sanfona em voz. *Isso Aqui Tá Bom Demais* é uma das músicas mais pedidas do São João há décadas.
Alguns sucessos:
- Gostoso Demais
- Eu Só Quero Um Xodó
- Isso Aqui Tá Bom Demais
- Sanfona Sentida
Santanna, o Cantador
Com raízes no Cariri cearense, Santanna transformou canções sobre o sertão, o amor e a saudade em sua marca registrada.
Alguns sucessos:
- Tamborete de Forró
- Ana Maria
- Lembrança de Um Beijo
- Se tu Quiser
Flávio José
Paraibano de Brejo do Cruz, é o nome do forró romântico que atravessa gerações. Nenhum arraiá nordestino começa sem pelo menos uma dele.
Alguns sucessos:
- Tareco e Mariola
- Espumas ao Vento
- Meu Cenário
- Me Diz Amor
Elba Ramalho
Conterrânea de Flávio, leva o forró para um território mais pop sem perder a raiz nordestina. Boa para festas que misturam gerações.
Alguns sucessos:
- Frevo Mulher
- Ai Que Saudade D'Ocê
- Forró do Xenhenhém
- Na Base da Chinela
O forró eletrônico que ainda balança o arraiá
Entre os clássicos e o forró de hoje existe uma geração que tomou os palcos do Nordeste nos anos 2000. Ritmo mais acelerado, arranjo eletrificado, letras que o público sabe de cor. São as bandas que marcam a virada da festa.
Banda Magníficos
De Monteiro, no interior da Paraíba, a Banda Magníficos foi um dos maiores fenômenos do forró eletrônico brasileiro. Mais de 8 milhões de cópias vendidas e repertório que segue pedido em qualquer festa junina.
- Verdadeiro Amor
- Apaixonada
- Sonhar
- Me Usa
- Chamego ou Xaveco
Mastruz com Leite
Banda cearense de Fortaleza, fundada em 1990, conhecida como a mãe do forró eletrônico. Popularizou o gênero pelo Brasil inteiro e tem um repertório que vai do forró raiz eletrificado ao romantismo que todo arraiá pede.
- Meu Vaqueiro Meu Peão
- Tatuagem
- Razões
- Saga de um Vaqueiro
- Seis Cordas
- Forrobodó
Os atuais que trouxeram o forró raiz de volta
Nas últimas duas décadas, o forró passou do domínio do forró eletrônico de bandas como Aviões do Forró, Saia Rodada e Garota Safada para o sucesso nacional do piseiro, impulsionado por artistas como João Gomes, Zé Vaqueiro e Nattan. Mais recentemente, parte dessa geração começou a resgatar elementos do forró tradicional, valorizando a sanfona, a zabumba e o repertório de raiz. Wesley Safadão, Xand Avião e Márcia Fellipe lançaram projetos nessa direção, mas o mais recente exemplo é o álbum Dominguinho, de João Gomes, Mestrinho e Jota.pê, que se tornou um dos registros mais representativos da reconexão da nova geração com o forró tradicional.
Gravado com o sanfoneiro Mestrinho e o violonista Jota.pê num sítio histórico em Olinda, o disco nasceu de um encontro ao vivo. O nome é uma homenagem direta a Dominguinhos, o sanfoneiro pernambucano que foi discípulo de Luiz Gonzaga. Vale ouvir do começo ao fim.
A playlist do São João Bom Todo
Saber as músicas certas é metade do caminho. A outra metade é montar a sequência certa. Essa progressão é o que transforma uma lista de músicas em uma festa de verdade. A Bom Todo já montou essa sequência para você, passando por todos esses momentos dos clássicos até os projetos de releitura. É só dar o play aqui embaixo ou clicar nesse link.
Curtiu a seleção? Aproveita e segue o canal da Bom Todo no YouTube!



